
Um carro vendido no Brasil pode custar até três vezes mais que o mesmo modelo comercializado nos Estados Unidos. A diferença de preço é de, no mínimo, 76%.
Esse percentual de diferença foi constatado no Ford Fusion 2.5 16V SEL. No Brasil, o carro sai por R$ 80,9 mil, enquanto nos Estados Unidos custa R$ 45.365, aponta levantamento feito pela Jato Dynamics do Brasil e divulgado pela Agência AutoInforme.
| Diferença de preços de autos vendidos no Brasil e nos EUA |
| Marca e Modelo |
Preço no Brasil (R$) |
Preço nos EUA (R$) |
Diferença (%) |
| Mercedes M-Class ML 500 |
376.000 |
104.420 |
260 |
| BMW Series 3 335I |
319.000 |
94.208 |
239 |
| Mercedes E-Class E 350 Avantgarde Executive |
299.000 |
89.424 |
234 |
| Chrysler Town & Country Limited |
173.900
|
52.302 |
232 |
| Audi Q7 3.6 FSI Quattro Tiptronic |
278.000 |
86.296 |
222 |
| Mercedes E-Class E 350 Coupe Plus |
285.000 |
88.412 |
222 |
| BMW X6 XDrive 50I |
390.000 |
123.648 |
215 |
| BMW X6 XDrive 35I |
325.000 |
103.960 |
213 |
| Mini Clubman Cooper S |
138.600 |
44.525 |
213 |
| Mini Cooper S |
128.000 |
41.032 |
212 |
| Fonte: Agência AutoInforme / Jato Dynamics Brasil |
Segundo a Agência, a diferença de preços dos veículos não é definido somente com base no custo de produção, mas no posicionamento do veículo no mercado e em relação aos concorrentes. Se os concorrentes estão na mesma faixa de preço, não existem motivos para colocar o carro em um patamar abaixo.
Um Mercedes ML 500, por exemplo, concorre diretamente com o BMW X6 com motor 5.0. Dessa forma, os preços dos dois veículos estão no mesmo patamar. A BMW sai por R$ 390 mil no Brasil. Um Porshe Cayene S 4.8 V8 sai por R$ 339 mil e concorre diretamente com um Audi Q7 4.2 V8, que custa R$ 349 mil.
Contudo há outros ingredientes que influenciam nesse preço. As fábricas não confirmam, mas uma das razões seria a margem de lucro. As subsidiárias brasileiras têm sido responsáveis por remessas expressivas de dólares para as matrizes nos últimos anos, ainda mais com o mercado tão desacelerado lá fora e tão aquecido aqui dentro – em 2008, a alta na venda de veículos no Brasil deve ser de 24%. Uma lei de mercado, porém, diz que, quanto maior a produção, maior a economia de escala. Não é o que se vê na prática.
Há casos em que, mesmo com o imposto de importação integral, alguns modelos estrangeiros conseguem chegar ao país com mais acessórios e preço mais atraente que os nacionais equivalentes. É o caso do Kia Picanto, que paga 35% ao desembarcar no Brasil – mais os impostos pagos pela indústria. Mesmo assim, ele custa 35 900 reais e traz de série ar-condicionado, direção elétrica, trio elétrico, rodas de liga leve e CD player com MP3, itens que são opcionais na maioria dos nacionais. David Wong, vice-presidente da Kaiser Associates, explica por que esse preço é tão competitivo, apesar de importado da Coréia: “A fábrica que faz o Picanto produz de 1 milhão a 1,5 milhão de veículos desse modelo por ano. A escala é monstruosa. Por aqui, a produção anual de um Gol é de cerca de 400 000 unidades”.
colaboraram Agência Auto informe, Economia UOL e Quatro Rodas
Concluindo
Com as altas taxas de impostos no Brasil, as montadoras não conseguem oferecer carros mais baratos como em outros lugares do mundo. A KIA Motors e a Hyundai conseguem colocar seus carros na mesma faixa de preços por terem seus veículos produzidos em larga escala, mesmo pagando impostos de importação.
Quem acaba pagando caro mesmo, é a população brasileira, que além pagar vários produtos com impostos embutidos – em média 33% de todos os produtos no país como alimento, vestuário etc - vê sua que sua produção automomotiva poderia ser melhor, mais tecnológica e barata.
Em resumo, o Brasil continua sendo o país dos impostos.